O carnavalesco conhecido por revolucionar os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro surpreendeu o público e antecipou os detalhes do ambicioso projeto da Unidos de Vila Isabel. Conhecido por suas criações inventivas, que já transformaram a Marquês de Sapucaí em pista de automobilismo e em rio, o artista abriu as portas do barracão para revelar uma das principais atrações daquele ano: uma nave espacial desenvolvida para flutuar na avenida.
Ex-comissário de bordo com 14 anos de experiência na aviação, Paulo Barros destacou a sinergia entre sua antiga profissão e a folia carioca. "Eu fui comissário de bordo 14 anos. Piloto eu não cheguei a ser. Mas pilotar uma nave aqui no barracão e pilotar o carnaval em si é uma sensação que é indescritível. O combustível é a alegria, é o prazer, é a sensação de plenitude", declarou o carnavalesco durante os preparativos.
O projeto da máquina do tempo exigiu um rigoroso planejamento técnico, sobretudo no quesito engenharia e segurança. A estrutura foi projetada para suportar o peso de 12 tripulantes e alcançar cerca de nove metros de altura durante o desfile na Marquês de Sapucaí. "A gente tem que se preocupar muito com a segurança, com a integridade de quem desfila nos carros. A grande dificuldade foi chegar a um cálculo que fosse seguro para o desfile", pontuou o artista, ressaltando o esforço para que a estrutura realmente passasse a ilusão de estar voando.
Para garantir a segurança e a dinâmica da alegoria, os integrantes que compuseram a tripulação do disco voador passaram por um processo seletivo criterioso. Os requisitos incluíam restrições de altura — limite de 1,70 metro —, controle de peso e ausência de fobia de altura. O componente Adrian Padilha, escolhido para a aventura, relatou a intensidade da experiência durante os testes: "Vou me sentir na Sapucaí, em um disco voador. Esse aqui tem adrenalina pura. Quando você sobe, já sente uma aflição, um friozinho na barriga. Mas quando começa a girar é emocionante".
Além da imponente estrutura voadora, o barracão da agremiação abrigou outras inovações tecnológicas e criativas. Os irmãos Vitor e Vinícius Brandão, estreantes no carnaval, conseguiram espaço na escola após apresentarem uma proposta de figurino diretamente ao carnavalesco. Com fantasias de robôs equipadas com iluminação de LED acionada por controle remoto, a dupla buscou aliar tecnologia e interatividade. "A gente quer iluminar as pessoas. É esse o objetivo desse figurino. Os robôs foram programados, codificados, tudo certinho para sambar", explicaram os criadores, consolidando mais uma aposta ousada da Vila Isabel para marcar a história da folia.
Fonte original: G1