Faltam duas semanas para o segundo turno das eleições, e a disputa chega a essa fase de um jeito que poucas pesquisas previram: o primeiro turno foi o mais apertado dos últimos 24 anos, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 1,9 ponto percentual.
Com 14 dias pela frente até a votação definitiva, analistas e eleitores se voltam para os números que podem definir as chances de cada candidato. No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), enquanto Lula registrou 45,16% (53,9 milhões). A diferença foi de 1,87 ponto percentual, equivalente a 2,2 milhões de votos.
A migração de votos e o comportamento do eleitorado
Para entender o potencial de crescimento de cada candidatura, dados da última pesquisa PoderData/Aya indicam como deve se comportar a base que votou em outros candidatos no primeiro turno:
- Eleitores de Flávio Bolsonaro (56,1 milhões): 94% mantêm o voto e 5% migram para Lula.
- Eleitores de Lula (53,9 milhões): 92% mantêm o voto, 5% migram para Flávio e 3% votam em branco, nulo ou não sabem.
- Eleitores de Cury (3,5 milhões): 56% vão para Flávio, 27% para Lula e 17% votam em branco, nulo ou não sabem.
- Eleitores de Renan (2,7 milhões): 48% vão para Flávio, 25% para Lula e 28% votam em branco, nulo ou não sabem.
- Eleitores de Caiado (2,6 milhões): 57% vão para Flávio, 19% para Lula e 23% votam em branco, nulo ou não sabem.
- Eleitores de Zema (0,3 milhão): 72% vão para Flávio, 10% para Lula e 18% votam em branco, nulo ou não sabem.
- Eleitores de outros candidatos (0,3 milhão): 39% vão para Lula, 19% para Flávio e 42% votam em branco, nulo ou não sabem.
- Votos brancos e nulos (6 milhões): 61% mantêm a anulação, 22% vão para Flávio e 18% para Lula.
Somando esses fluxos, a migração estimada para Flávio soma 9 milhões de votos, enquanto a migração para Lula soma 6,1 milhões. Com base nestes dados, a vantagem projetada de Flávio poderia se ampliar em 2,9 milhões de votos, chegando a uma diferença de 5,1 milhões.
O peso das abstenções e a busca por novos votos
A grande aposta da campanha de Lula concentra-se na redução das abstenções e na captação do eleitorado que votou em branco ou nulo no primeiro turno. Ao todo, 6 milhões de pessoas anularam o voto e 33,4 milhões não compareceram às urnas, totalizando 39,4 milhões de eleitores fora da contagem dos válidos.
Historicamente, o volume de ausentes costumava aumentar do primeiro para o segundo turno entre 1989 e 2018, tendência que sofreu uma leve reversão em 2022. Um dado curioso desta eleição aponta que a abstenção nas regiões Norte (18,4%) e Nordeste (19,4%) foi menor do que no Sudeste (22,7%). Analisando por estados, a ausência de eleitores tendeu a ser menor justamente nas localidades onde Lula liderou a votação.
Restam 14 dias de campanha em que a matemática eleitoral dependerá diretamente da estratégia, da narrativa e da capacidade de mobilização de cada grupo político para reverter ou consolidar os resultados do primeiro turno.
Fonte original: the news