Foi sepultado nesta quarta-feira (18), no Cemitério Parque Bom Jesus, em Cuiabá, o corpo da gerente de banco Lilian Calixto, de 46 anos. Ela morreu no Rio de Janeiro após se submeter a um procedimento estético nos glúteos, realizado no último domingo (15) pelo médico Denis Cesar Barros Furtado, amplamente conhecido nas redes sociais como "Dr. Bumbum". O sepultamento ocorreu às 9h30 no horário local.
De acordo com familiares, Lilian saiu da capital mato-grossense com destino inicial a Brasília para realizar o procedimento. No entanto, devido a imprevistos, a sessão estética foi transferida para o Rio de Janeiro e executada dentro de um apartamento. Durante o atendimento, a paciente apresentou complicações graves e precisou ser socorrida pelo próprio médico e pela namorada, sendo levada de carro ao Hospital Barra D'Or em estado extremamente grave, onde acabou falecida.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro assumiu o caso e classificou os envolvidos na investigação. A Justiça decretou a prisão temporária por homicídio doloso qualificado e associação criminosa de Denis Cesar Barros Furtado, de sua mãe — a também médica Maria de Fátima Barros Furtado —, da namorada dele Renata Cirne, e da auxiliar Rosilane Pereira da Silva. Até o momento, Renata Cirne foi presa, enquanto Denis e sua mãe encontram-se foragidos. A prisão de Rosilane não obteve autorização da Justiça.
Durante o velório realizado na Capela Jardins, em Cuiabá, na terça-feira (17), o filho da vítima, Victor Calixto Gasques, de 24 anos, expressou revolta e dor pela perda da mãe, descrita por ele como o pilar da família. "Nossa família está revoltada, ninguém consegue aceitar essa perda. Foi um erro médico", declarou, reforçando que buscarão justiça até as últimas consequências.
As investigações apontam que Lilian chegou à residência do médico de táxi, veículo cujo motorista aguardou na portaria. Com a demora, o motorista telefonou para a passageira, momento em que Denis o dispensou com a quantia de R$ 300, alegando que o atendimento demoraria devido a um jantar. Após a morte da paciente na unidade hospitalar, o médico deixou o local sem repassar aos médicos plantonistas informações cruciais sobre o procedimento estético realizado.
A defesa de Denis Furtado, representada pela advogada Naiara Baldanza, emitiu nota na qual argumenta ser precoce qualquer conclusão acerca da responsabilidade do médico pelo falecimento, afirmando que a paciente não teria apresentado complicações durante a intervenção.
O histórico do médico e de sua família também veio à tona com o andamento das investigações. Denis Furtado é réu em mais de 10 processos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, incluindo um litígio referente à venda de um imóvel em conjunto com sua mãe. Além disso, constam nos registros policiais passagens criminais anteriores relacionadas a:
- Homicídio (1997)
- Porte de arma (2003)
- Resistencia à prisão (2006 e 2007)
- Exercício arbitrário da própria razão (2007)
- Violação de domicílio (2007)
As autoridades continuam as buscas pelos suspeitos foragidos e solicitam que eventuais informações sobre o paradeiro de Denis Cesar Barros Furtado e Maria de Fátima Barros Furtado sejam repassadas aos órgãos competentes.
Fonte original: G1