O cantor e compositor Benito Di Paula morreu aos 84 anos neste domingo (18), em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata. Nascido em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o artista deixou um legado marcante na música popular brasileira, tendo sua trajetória celebrada recentemente no carnaval paulista pela escola de samba Águia de Ouro.
A relação com Nova Friburgo e o "Homem da Montanha"
Em entrevista concedida em fevereiro de 2023, Benito Di Paula expressou a alegria de ser enredo no Carnaval de São Paulo e detalhou a profunda relação afetiva que mantinha com sua cidade natal. Na ocasião, ele se autodenominou "o homem da montanha", referência à canção homônima lançada em 1976 que traduz seu amor por Nova Friburgo e o desejo de retornar à Serra após vivenciar a rotina da metrópole.
"É a minha terra, sou o 'Homem da Montanha'. Tenho muita saudade de lá, tenho recordações bonitas. Gosto muito da minha terra. Nova Friburgo é a minha casa, está no coração", declarou o artista na época.
Além da forte ligação com o município serrano, Benito mantinha laços históricos com o carnaval local, recordando a fundação da escola de samba Unidos da Saudade por seu pai.
Homenagem na avenida
No carnaval, a escola de samba Águia de Ouro levou para a avenida o enredo "Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer", destacando a forte ligação da família do artista com o samba. A homenagem revisitou a carreira de Benito, reconhecido por unir o samba ao som do piano e a elementos da música romântica.
"É emocionante, não tem como explicar. É um presente que a Águia de Ouro está dando para mim. É o maior troféu que um artista pode receber", celebrou o cantor sobre a homenagem.
Trajetória e sucesso nacional
Nascido Uday Vellozo em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, e criado no Rio de Janeiro, o artista adotou o nome artístico Benito Di Paula nos anos 1970, década em que alcançou projeção nacional com uma sonoridade inovadora dentro do samba.
Ao longo de sua carreira, consolidou-se como um dos grandes expoentes da MPB nas décadas de 1970 e 1980, acumulando mais de 50 milhões de discos vendidos mundialmente, sendo quatro milhões apenas na Europa. Entre seus maiores sucessos estão faixas icônicas como Retalhos de Cetim, Charlie Brown e Mulher Brasileira.
O estilo único do "sambeiro e pianeiro"
Diferente de outros grandes nomes do samba da mesma época, como Martinho da Vila e Paulinho da Viola, Benito Di Paula nunca se definiu como um sambista tradicional, preferindo os rótulos de "sambeiro" e "pianeiro".
Com um toque percussivo no piano, ele imprimia uma batucada própria e um suingue brasileiro que antecipou elementos do pagode paulista propagado na década de 1990 por grupos como Raça Negra. Dessa forma, o artista deixou uma assinatura singular, eterna e inconfundível na história da música brasileira.
Fonte original: G1