Mais de cem músicos contratados pela Prefeitura do Rio de Janeiro para animar o carnaval de 2018 enfrentam uma situação dramática de inadimplência e seguem sem receber pelos serviços prestados até o momento. No total, dezesseis bandas foram selecionadas por meio de edital para se apresentar durante os quatro dias oficiais de folia na capital fluminense, com um cachê pactuado em R$ 10 mil para cada grupo.
Contudo, mesmo após cinco meses do encerramento do evento, os artistas afirmam que não viram a cor do dinheiro. O músico Lassaval Farias relata que a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur) tem dado justificativas semanais sobre a liberação dos recursos, mas nenhuma das bandas envolvidas recebeu qualquer valor até o momento.
"Agora, estou sabendo que nem previsão para efetuar o pagamento eles têm. Alguns estão mais necessitados. Eu, por exemplo, fiz um empréstimo para pagar alguns músicos que estavam precisando. A gente, infelizmente, depende desse dinheiro", desabafou Farias, que acumula uma trajetória de 20 anos de participação no carnaval carioca e garante nunca ter passado por um cenário semelhante.
Segundo o músico, os moldes anteriores de contratação eram cumpridos com rigor: a prefeitura costumava adiantar 50% do cachê 45 dias antes do início da festa e quitava o restante em até 45 dias após o término dos desfiles. "Cinco meses sem receber, nunca tinha acontecido. Primeira vez que acontece isso e os músicos estão muito tristes, muito chateados com isso", lamentou.
Procurada pela reportagem, a Riotur informou por meio de nota oficial que mantém diálogos constantes com a Secretaria Municipal de Fazenda com o objetivo de viabilizar os recursos necessários. A autarquia municipal alegou que enfrenta entraves burocráticos decorrentes de uma crise financeira, mas declarou que espera estabelecer uma previsão de pagamento o quanto antes, embora não tenha estipulado um prazo concreto para a quitação dos contratos firmados.
Fonte original: G1