A Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Mato Grosso do Sul identificou que a grande maioria das armas e munições apreendidas nas rodovias do estado tem como destino final o estado do Rio de Janeiro. Localizado estrategicamente em uma região de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, o território sul-mato-grossense tornou-se um corredor crucial para o escoamento do armamento clandestino.
De acordo com o inspetor Waldir Brasil, a totalidade das interceptações realizadas pelas equipes policiais na região aponta para centros urbanos da Região Sudeste do país. "Todas as apreensões que temos feito de armamento seguiriam para São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais; mas 90% para o Rio de Janeiro", pontua a autoridade policial.
Os registros estatísticos da corporação comprovam uma escalada na eficiência e na frequência dessas operações de combate ao crime organizado. Comparando os dados consolidados, a quantidade de armas apreendidas apresentou crescimento: enquanto 83 unidades foram interceptadas no período anterior, o número subiu para 92 armas retiradas de circulação. O salto é ainda mais expressivo no volume de munições apreendidas, que saltou de 16.797 para 21.467 unidades.
Além do volume bruto, o que causa profunda preocupação às forças de segurança é a letalidade e o potencial bélico dos artefatos. Grande parte do material interceptado é de uso restrito e exclusivo das forças de segurança pública e das Forças Armadas. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em junho, no município de Três Lagoas, quando uma metralhadora calibre ponto 50 — armamento pesado com capacidade reconhecida para perfurar blindados e derrubar aeronaves — foi interceptada pelas equipes de fiscalização.
As investigações conduzidas pelas autoridades apontam que o crime organizado modificou suas rotas logísticas tradicionais, intensificando o uso da fronteira seca situada em Mato Grosso do Sul para burlar a fiscalização de outros estados. Esse cenário tem exigido uma atuação coordenada e permanente, impulsionada por operações conjuntas e pelo intercâmbio de inteligência entre a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Federal.
Fonte original: G1