A complexidade atribuída ao Brasil muitas vezes serve como cortina de fumaça para ocultar estruturas de poder enraizadas e problemas sociais evidentes. Para compreender essa dinâmica, basta analisar os desdobramentos em torno da execução da vereadora Marielle Franco e o contexto de segurança pública no estado do Rio de Janeiro.
O cenário é composto por fatores históricos e institucionais que se interconectam de maneira direta, revelando a gravidade da crise institucional:
- Herança Militar: A atuação histórica da Polícia Militar, herdada de um período de governo militar, marcada por episódios de violência e abusos direcionados a populações periféricas e moradores de favelas.
- Intervenção Federal: A implementação de medidas de intervenção federal que conferiram maior poder e menor transparência às ações de militares em comunidades vulneráveis.
- Comissão de Fiscalização: A criação de um órgão voltado para fiscalizar eventuais abusos cometidos por militares durante as operações.
- O Crime: A execução da relatora responsável por essa comissão de fiscalização, um marco trágico que chocou o país.
- Consequências Institucionais: O cenário gerado, no qual forças militares mantêm ampla margem de atuação, com eventuais investigações sobre autoria direcionadas a tribunais militares.
- Reação Social Limitada: A indignação inicial de parte dos cariocas que tomaram as ruas sob o leito do grito "O Rio precisa parar!", seguida pela baixa adesão popular, influenciada por fatores políticos e religiosos.
- O Impacto da Perda: O sepultamento simbólico da luta de Marielle Franco, jovem, mulher, negra, cria da favela e ativista dedicada aos direitos humanos.
- Visão Nacional: A falta de percepção em outros estados da federação de que a violência periférica no Rio reflete um problema sistêmico nacional, muitas vezes acompanhado de apatia ou complacência pública.
- Resistência à Mudança: O desafio hercúleo de transformar uma estrutura social e de segurança tão rígida, resultando na manutenção do status quo onde a vida segue sem rupturas estruturais.
Desconfiar daqueles que rotulam o país como excessivamente complexo é o primeiro passo para enxergar as engrenagens que mantêm a desigualdade e a violência operando sem grandes alterações ao longo dos anos.
Fonte original: G1