A 51ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF), concentra-se na apuração de um esquema de pagamento de propina que soma R$ 200 milhões. Os valores ilícitos, segundo as investigações, teriam sido direcionados a ex-funcionários da Petrobras e a representantes do MDB e do PT por meio de fraudes em contratos e contas mantidas no exterior. A Justiça expediu 23 mandados judiciais, sendo quatro de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 17 de busca e apreensão, cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os repasses ilegais ocorreram entre 2010 e 2012, totalizando inicialmente 56,5 milhões de dólares. As vantagens indevidas estão vinculadas a um contrato superior a 825 milhões de dólares firmado em 2010 pela Petrobras com a construtora Norberto Odebrecht. As provas obtidas apontam que o montante foi fracionado entre ex-colaboradores da estatal e intermediários ligados a agentes políticos, utilizando o Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, offshores e doleiros para a lavagem de dinheiro.
A força-tarefa detalhou os alvos dos mandados de prisão expedidos durante esta etapa, denominada 'Déjà Vu' em virtude da recorrência das estratégias utilizadas pelos investigados:
- Mario Ildeu de Miranda: Ex-executivo da Petrobras e operador, alvo de mandado de prisão preventiva.
- Ulisses Sobral Calile: Ex-executivo da estatal com atuação na área Internacional, alvo de prisão preventiva.
- Aluísio Teles Ferreira Filho: Engenheiro e ex-gerente-geral da área Internacional da Petrobras, alvo de prisão preventiva.
- Rodrigo Zambrotti Pinaud: Ex-executivo contratado para auxiliar em processos de licitação de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS), alvo de prisão preventiva.
- Sérgio Boccaleti: Operador financeiro, alvo de mandado de prisão temporária.
- Ângelo Tadeu Lauria: Operador apontado como intermediário, alvo de mandado de prisão temporária.
O juiz federal responsável pelos processos de primeira instância determinou o bloqueio de até R$ 90 milhões nas contas dos investigados, citando os fortes indícios de participação em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Além disso, os procuradores criticaram os desdobramentos de leis anteriores que, segundo a acusação, permitiram a regularização de recursos de origem duvidosa no exterior por parte de agentes públicos e políticos envolvidos.
Em nota e manifestações oficiais, as defesas e citados se posicionaram sobre as acusações. O MDB declarou desconhecer os detalhes da operação, mas pontuou a importância de investigações céleres. O Partido dos Trabalhadores (PT) repudiou as acusações, classificando-as como irresponsáveis e baseadas em relatos de delatores. A defesa de João Vaccari Neto negou irregularidades, afirmando que a atuação do ex-tesoureiro resumiu-se a doações legais com devida prestação de contas. Por sua vez, a Odebrecht reiterou sua colaboração com a Justiça por meio de acordos de leniência firmados no Brasil e no exterior, destacando a implementação de rígidos padrões de governança e integridade corporativa.
Fonte original: G1