O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, manifestou-se nesta terça-feira sobre a decisão judicial que permitiu a realização da partida entre Vasco e Boca Juniors, válida pela volta da semifinal da Sul-Americana, no Estádio do Maracanã. Em declaração concedida na chegada da delegação rubro-negra a Buenos Aires, onde a equipe se prepara para enfrentar o Estudiantes pela semifinal da Libertadores, o dirigente expressou preocupação com as condições do gramado e com a gestão da praça esportiva.
Enquanto o Vasco entrará em campo no Maracanã na terça-feira, o Flamengo jogará no mesmo local na quinta-feira. — Essa questão do Vasco, isso eu deixo para as pessoas da diretoria, com o presidente. É óbvio que preocupa o gramado e preocupa também um pouco preparar uma casa, pagar pela casa e ir outra pessoa usar a casa para fazer uma festa — afirmou o dirigente na porta do hotel da concentração.
Gestão do Maracanã e argumentos jurídicos
O Maracanã é administrado atualmente por um consórcio formado por Flamengo e Fluminense, cuja concessão foi formalizada em setembro de 2024 com validade de 20 anos. O contrato prevê a exploração financeira do espaço, incluindo a locação para eventos e partidas de outras equipes. O edital de licitação do Governo do Estado estabelece que a concessionária não pode adotar tratamento discriminatório ou conceder exclusividade que vede o acesso de outros clubes, desde que observados critérios técnicos e ausência de conflito de datas.
Por sua vez, a gestão do consórcio argumenta que o edital permite vetos baseados em critérios técnicos e operacionais. No ano passado, as diretorias firmaram um acordo estipulando que o Vasco teria direito a quatro partidas por ano no estádio em 2025 e 2026, além dos clássicos, sob a premissa de que eventuais negativas fossem devidamente fundamentadas.
A batalha judicial e os desdobramentos
A liberação do palco para o confronto do Vasco ocorreu após decisão do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, publicada na manhã de terça-feira. Anteriormente, no sábado, a Justiça havia acatado os argumentos do consórcio gestor devido ao risco de sobrecarga operacional, citando a proximidade com uma partida de basquete entre Flamengo e Botafogo no Maracanãzinho.
Diante da decisão favorável ao clube cruz-maltino, o consórcio Fla-Flu apresentou recurso para tentar derrubar a liminar. Paralelamente, o Vasco foi comunicado pela Conmebol de que, caso ocorra uma nova alteração no local do evento, a partida poderá ser transferida para fora do Brasil.
Fonte original: ge (Globo Esporte)